A minha humilde opinião sobre a atuação da seleção brasileira na Copa de 2014 (o bom de ser velha e louca e ter um espacinho só meu):

Ontem, na hora do jogo, depois dos 5×0, desencanei da televisão e passei a acompanhar as piadas do facebook. Algumas inteligentes e ácidas conseguiram arrancar risadas lá em casa.

Assim que a partida terminou e o 7×1 foi decretado, virou fato imutável, choveram dois tipos de atitude pelas redes sociais: os que estavam envergonhados e os que insistiam em gritar “eu-sou-brasileiro-com-muito-orgulho-com-muito-amor-somos-os-únicos-penta”.

E eu no meio disso tudo tentando digerir. Mas a verdade verdadeira é que a seleção não é feita de heróis, como a mídia e a torcida insistem. A seleção brasileira não é um bando de vilões, como alguns acreditam. Eles são apenas seres humanos com talento em um esporte que, por acaso, é uma das maiores paixões deste país. Jogar futebol não é passeio de domingo, é trabalho e todos os 23 convocados recebem muito mais num mês do que alguns brasileiros vão ganhar na vida INTEIRA.

O meu sentimento em relação ao desempenho da seleção não é fruto da humilhação que passamos ontem (e quando falo em humilhação não me refiro a perder ou ao placar, logo me explico). Mas olhando a trajetória do nosso time, dos 5 jogos anteriores ao da Alemanha, o Brasil ganhara apenas dois deles com alguma facilidade. E não apenas isso: um time cheio de craques que não conseguiam desenvolver suas habilidades. O Brasil não mostrou futebol de melhor do mundo durante a sua campanha e muitas vezes eu pensei que parte de mim ficaria triste com o Brasil campeão sendo que havia times mais preparados e bem estruturados. Vide Alemanha.

Pro que aconteceu ontem não existe desculpa. Tragédias acontecem. A Alemanha jogou muito sim. Tem um time incrível! Mas esses caras ganharam só de 1 dos Estados Unidos! Empataram com Gana! Foram pra prorrogação com a Argélia! E ganharam de nós num histórico 7×1 porque depois do quinto respeitaram a nossa “pane”. Quem assistiu ao jogo sabe que o placar poderia ter sido ainda maior pra eles.

O Felipão assumir a culpa não faz dele uma pessoa melhor. É o mínimo. Assim como ele levaria também o crédito caso fôssemos campeões. O técnico é o estrategista da guerra. Escolhe os soldados e diz o que cada um deve fazer. O Felipão errou nas suas convicções. E isso também acontece.

Um pedaço bem pequeno de mim fica feliz com essa derrota. Tira a gente do salto alto. Lembra que enquanto a gente perde um mês de trabalho por causa da Copa, a Faixa de Gaza está em guerra. Essa derrota é âncora pra nos trazer ao presente e lembrar que o momento mais importante de gritar “sou brasileiro com orgulho e com amor” é em outubro, nas urnas. Falamos muito dos argentinos, mas nós – torcida e time- somos arrogantes quando falamos de futebol. Não sei quem decidiu a frase do ônibus da nossa seleção, mas se eu fosse torcedora de qualquer outro país, ontem eu teria gritado: chuuuuuuuuupa, Brasil! Escrever ‘Preparem-se, o hexa está chegando!’ não é ser otimista. É sim se colocar no topo do mundo. E ser eliminada da #copadascopas, em casa, com o pior placar já sofrido pela seleção brasileira em 100 anos de história talvez fosse o preço que a gente tinha que pagar pra encontrar um pouco mais de humildade.

Ganhar e perder faz parte, isso é o esporte. Mas jogar bem é o mínimo.

Quer pedir desculpas pro povo brasileiro, Brasil?
Então entra em campo sábado com sede, com responsabilidade e humildade e joga o futebol que vale os milhões que vocês ganham.
Terceiro ou quarto lugar é lindo – desde que o futebol em campo represente o “gigante pela própria natureza”.

Vamos, Brasil!
Pra cima! Pra frente! Sempre!

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♥,
S.